2.8.22

virabhadrasana 2
 Sua prática

 

O isolamento mostrou as possibilidades da internet nas práticas. Fizemos aulas online, e postamos vários vídeos com práticas diferentes. 

Terminado o isolamento, por motivos diferentes várias pessoas preferem continuar com aulas online.

Esta postagem apresenta a proposta do título: uma prática personalizada para quem faz yoga em casa.

Como funciona

A playlist Sua prática no nosso canal do YouTube tem dois vídeos públicos, um deles só para mostrar o que é necessário tem à mão para poder praticar. O outro é uma aula simples, que pode ser usada como uma avaliação: de que ponto você começa.

Nossa proposta consiste de um aula individual - online ou presencial - na qual avaliamos suas possibilidades, seus objetivos, e o caminho para chegar a eles. Em seguida você receberá um vídeo para sua prática em casa. 

O ritmo da caminhada é definido por você: se depois de uma ou duas semanas, ou um mês, você sentir necessidade de outros desafios, ou de revisar sua prática, marcamos outra aula, que terá outro vídeo, e assim por diante. 

Entre em contato para saber mais:

 
 
 

 


22.6.21

Inverno e esperança

 

髙田大進吉, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons
Começou o inverno. Daqui para a frente os dias ficam cada vez mais longos, diminuindo a duração da noite. Certeza de que o ciclo continua, a primavera vai chegar.

Também é lua cheia. A luz da noite brilha redonda e grande, antes de começar a diminuir. O ciclo continua.

Ciclos dentro de ciclos, tudo muda o tempo todo. Tudo flui.


Tudo que é vivo também tem um ciclo, nasce, cresce, envelhece e morre. Isto é óbvio, embora cientistas de 14 países tenham só agora publicado um artigo demonstrando isto (Nature, 16 de junho de 2021).

O que é mais importante, porém, é que cada um de nós muda várias vezes por dia. Muda o humor, muda a disposição física, muda o foco de interesse.

O tema que quero colocar para reflexão é a consciência sobre estes estados mutáveis que habitamos. Posto de outro modo, os vários eus menores que habitam cada um de nós: um reflexivo, outro sentimental, um generoso, outro preconceituoso, um solidário, outro egocêntrico…

Convido você para uma meditação reflexiva sobre a mudança. Sobre nosso estado natural de transformação constante.

Nesta sexta-feira, dia 25 de junho, às 19:00 horas. Online.

O link será postado em nossa página no Facebook algumas horas antes.

namastê

25.5.21

Lua cheia - e que lua! - lobisomem e outros pavores

Esta lua cheia de 26 de maio aconteceu com a lua em perigeu - no ponto mais próximo da Terra ela parece maior, claro. Não foi visível no Brasil, mas nossos antípodas na Austrália puderam apreciar um eclipse total.

Katsiaryna Naliuka, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

Não dá pra não lembrar que a lua cheia inspira muitas lendas e muitos temores. E o eclipse também. 

Lua cheia é a lua dos lunáticos - o nome já diz. Os loucos surtam mais na lua cheia. Pode não ser verdade, mas é uma crença bem antiga e duradoura. O lobisomem aparece na lua cheia. Que outro mito você conhece sobre esta fase da lua?

Nós perdemos esta percepção de como a lua cheia ilumina, porque as cidades têm lâmpadas que escondem o céu. Existem astrônomos que defendem menos iluminação, para que se possa ver de novo as estrelas. Mas a lua cheia ilumina muito, é muito diferente caminhar à noite na lua cheia e na nova, quando você não enxerga nada, mesmo. 

Imagina, então, alguém andando numa noite de lua cheia por uma aldeia sem luz artificial. Tranqüilo. Então começa a escurecer. A pessoa olha para o céu e não vê nuvens. Mas a lua começa a ficar apagada. Então uma sombra começa lentamente a cobrir a lua. Vai ficando mais escuro... a sombra avança, parece que está comendo a lua. Até que a cobre toda. Tudo fica muito escuro. A lua sumiu. Que medo!

Um dos mitos de que gosto é germânico: um lobo corre atrás da lua e quer devorá-la. Então as pessoas saem de suas casas e gritam, batem panelas, fazem muito barulho... até espantar o lobo, que vai largando a lua, ela começa a reaparecer, até que o lobo vai embora e ela brilha de novo. Sempre dá certo esta intervenção humana. 

Quero aproveitar esta evocação do medo e convidar você para uma meditação sobre... o medo. Vamos refletir sobre o medo, o que é, qual sua utilidade, que problemas traz, e como lidar com ele. 

Esta transmissão ficou gravada, e você pode assistir aqui:

https://youtu.be/RPaKpLsC1jo



17.9.20

Conhece-te a ti mesmo

 


Sempre penso em escrever sobre cada um dos yamas e niyamas e termino por me ater só aos dois que fizeram a fama de Gandhi, ahimsa e satyagra.

Alexej von Jawlensky



Pois hoje vou falar sobre svadhyaya. Este título muito original já indica do que se trata. Mas…


Considerando que o Homo sapiens é um animal social, ninguém pode se conhecer sozinho. Cada um de nós só existe em relação com outros. Estaremos sempre nos relacionando, conscientemente ou no automático. Conhecer a si mesmo é o primeiro caso.


Consciência vem do latim: cum + scientia. E scientia vem de scire = conhecer. Logo, agir com consciência significa fazer conhecendo o que se está fazendo, ou seja, o contrário de agir no automático, ou por instinto, ou sob forte emoção.


Conhecer a si mesmo é ter consciência de quem se é, portanto. Conhecer o que se está sentindo é até chamado de inteligência emocional. Conhecer o que se pensa sobre determinado assunto, em lugar de repetir a última interpretação ouvida... Conhecer o próprio corpo para perceber se estamos nos sentindo bem ou mal.


A filosofia sânquia afirma que é preciso ler para praticar svadhyaya, o conhecimento de si. Ler os escritos sobre filosofia e psicologia – vale lembrar que ainda entre os gregos a psicologia fazia parte da filosofia. De fato, como saber quem somos sem ter noção alguma sobre o que é e como funciona a mente humana?


Mesmo na Índia não existia uma filosofia só. Gandhi, voltando a falar nele, seguia o jainismo. A religião dominante na Índia é o hinduísmo, derivado em parte do bramanismo. Entre nós ocidentais existem várias linhas de psicologia: Freud, Jung, gestalt, Reich, behaviorismo, e muitas mais. É interessante conhecer o básico de várias delas que sejam bem diferentes entre si. E quando uma tocar uma corda profunda dentro de você, siga o conselho de Joseph Campbell: quando encontrar um autor que seja sua bem-aventurança, leia tudo dele.


Último lembrete: ao contrário das filosofias ocidentais, que ficam ao nível do intelecto e nem sempre são vividas, as filosofias na Índia orientavam toda a vida da pessoa.

19.7.20

Respiração profunda para acalmar a mente e o corpo

Nestes tempos incomuns de rotina incomum, mudança de hábitos é o que mais é exigido de cada um de nós.

Uma dificuldade que é uma oportunidade, que podemos aproveitar para colocar novos hábitos em nossa vida.

Um hábito que sempre vai ajudar a lidar com as circunstâncias é o de respirar mais profundamente. Aumentar a entrada e saída de ar dos pulmões aumenta a renovação do ar, claro, mas também aprofunda a respiração e com isto aumenta o uso da capacidade pulmonar.

A respiração mais profunda é também mais lenta, por isto acalma a mente e relaxa o corpo.

Acompanhe o áudio.


namastê

24.10.19

Astrologia e dinheiro


Antes que você pense que a astrologia te ensina a ganhar dinheiro, vamos conversar sobre para que a astrologia serve – o que ela faz.
Cédulas de vários países - Wikimedia
Astrologia não é previsão de futuro, isto seria adivinhação. Pode ser uma forma de interpretar o passado, entender porque aquilo aconteceu naquela época. A grande utilidade da astrologia é traduzir o Zeitgeist – o espírito do tempo – termo que se refere à complexidade de relações atuando num período. Para captar o espírito do presente – e agir, no presente, com responsabilidade – é preciso aprender as lições do passado. É também preciso estar se desenvolvendo como a pessoa que você nasceu para ser: um ser dotado de uma consciência sempre em expansão e que assume a responsabilidade por si mesmo e por sua atuação no mundo.

O assunto

Dinheiro: o que é?
A astrologia já existia quando o dinheiro foi inventado, foi preciso adaptar um conhecimento anterior para colocar o dinheiro em algum lugar do mapa. Que lugar é esse? A tradição européia, cartesiana, de uma astrologia para ricos e poderosos, coloca o dinheiro como propriedade – rico tem dinheiro, certo? Mas dinheiro é moeda corrente, é liquidez. Moeda de troca, que veio substituir o escambo, em que se troca uma mercadoria por outra. Ninguém pensaria em produzir feijão e guardar indefinidamente em casa: ele é plantado para ser consumido, e o excedente trocado por arroz, por exemplo.
Três casas do mapa – as casas são a expressão de todas as possibilidades de experiência de um ser vivendo na Terra – falam da parte material da experiência. A posição que se ocupa no lugar onde se vive, o que se tem ao ocupar esta posição, e o que se troca, dinamizando esta posição. Alguém pode ser o pescador da vila, ter seu barco e sua rede, e trocar seus peixes e seu conhecimento sobre peixes com outras pessoas. Então o dinheiro vai – ou não – entrar nas trocas. Pode haver escambo, o pescador pode ter construído seu barco, como ainda acontecia no litoral de SP no século XX. Esquematizando:
o pescador casa 10 posição
o barco, a rede casa 2 posses
o peixe pescado casa 6 trabalho, técnica

Quando a coisa não dá certo

Você está pensando que a vida é muito mais complexa que isso... e é mesmo. Continuemos, pois.
Destas três casas, a 10 é cardeal – inicia o tema – a posição do pescador na aldeia. As posses permitem manter a posição – a casa 2 é fixa – o pescador tem a rede, o barco e seu conhecimento. As trocas, o trabalho, modificam as duas anteriores – a casa 6 é mutável. É mutável porque depende da casa cardeal que vem em seguida, a 7, casa das relações sociais. O pescador troca com alguém, recebe dinheiro ou outra mercadoria e os dois saem com algo de valor para si.
Conclusão óbvia: a área material pode não dar certo porque “nenhum homem é uma ilha”.

O que fazer?

Wikimedia Commons
Como eu disse acima, astrologia não é cartesiana, é pura complexidade. Não tem isso de uma causa → um efeito. Vamos situar o dinheiro em relação a outros capitais que podemos ter.
Capital material: estivemos falando disso, dinheiro, mercadorias fluindo entre pessoas. Vem da posição que se ocupa, do uso dos meios para mantê-la, é o que flui como resultado.
Capital social: relações com pessoas. Relações de pessoa a pessoa formam um conjunto estável do grupo a que se pertence, com que quem se troca informações as mais diversas. Casas 7, 11 e 3, respectivamente.
Capital cultural: cada pessoa se identifica com sua cultura, que modela sua personalidade. Claro que essa modelagem é grande no começo da vida mas, à medida que a pessoa adquire mais consciência e mais conhecimento, torna-se capaz de modular isto pela vontade pessoal. A personalidade estável age no mundo, e se modifica pelas trocas com outras pessoas de cultura diferente. Casas 1, 5 e 9.
Capital psíquico: a parte silenciosa e profunda da vida. Valores alimentam a alma desde o começo da vida – espera-se que sejam nutrição, amor, compartilhamento – e permitem o desenvolvimento de uma psique estável, equilibrada e profunda, aberta ao desenvolvimento crescente através da percepção de pertencimento ao todo mais amplo: da humanidade, de todos os seres vivos, do universo. Casas 4, 8 e 12.
oOo
Esse quatro capitais fazem girar a roda da vida, porque levam à transformação: tudo que é vivo está em constante transformação.
O capital material chama e depende das relações sociais (casas de ar), as relações dependem de, e transformam a consciência psíquica (casas de água), a vida da alma amplia a consciência e a cultura (casas de fogo) que, fechando o ciclo, transforma a posição no mundo.
Aplicando este quadro ao momento presente em sua vida, na cultura em que você se insere, avalie o quanto você permite o fluxo de seus quatro capitais, e você estará encontrando respostas para vários de seus problemas.

10.9.19

Chakras: rodas e círculos

Imagem: Wikimedia Commons
 

De vez em quando algum aluno volta a me perguntar sobre os chakras, que originalmente fazem parte do tantra, e não da filosofia sânquia à qual o ioga está ligado. A Índia não é só antiga, é também grande, e se hoje existem lá dezessete idiomas oficiais – sem contar os dialetos – é porque em toda sua história foi casa de muitos povos diferentes. Claro que as culturas se misturaram, assim o bramanismo – hinduísmo atual – incorporou as práticas do ioga e os chakras se uniram ao conjunto. 

    Num apanhado rápido segue uma relação entre chakras, nadis como vistos pelos chineses, isto é, meridianos, e a relação destes meridianos com as emoções primárias. Mas tudo isso de acordo com minha interpretação, recomendo reflexão sobre o assunto.


    Os três primeiros chakras ligam-se à sobrevivência, são viscerais na expressão. 


    O primeiro, localizado no períneo, está ligado aos quadris como fonte do movimento das pernas, portanto se liga ao impulso de movimento, representado pelo meridiano da vesícula biliar. A emoção básica de vesícula e fígado é a raiva: impulso de atacar. Sua influência se estende aos membros inferiores, que se movem seguindo a lemniscata que os quadris descrevem no andar.


    O segundo fica no baixo ventre, e se relaciona com a bexiga, ligada ao medo, emoção que paralisa. Rins e bexiga são órgãos da função de eliminação. 


    O terceiro chakra fica no abdômen, e está relacionado ao estômago – por extensão à digestão como um todo – e sua emoção é o nojo, o impulso para se afastar. Sua área de influência é grande, abrange os intestinos delgado e grosso, vísceras, e os órgãos baço e pâncreas. 


    Estes três chakras se expressam nas funções psíquicas da percepção e intuição – funções de apreensão da realidade, ou parte por parte ou como um todo. Estas três emoções viscerais são a base para o desenvolvimento das outras duas que, veremos a seguir, são de outra ordem.


    O quarto chakra se localiza no peito. Seu órgão é o coração, e a emoção é a alegria. Mal compreendida neste mundo um tanto triste e raivoso, a alegria é a base do sentimento, mas este é uma construção cultural. É a alegria que impulsiona em direção ao exterior, ao contato com outros seres humanos, e que por sua vez deriva desse contato. 


    O quinto chakra fica no pescoço. Liga-se às vias respiratórias, seus órgãos são os pulmões. Sua emoção é a tristeza, base do pensamento, da reflexão. É o impulso para dentro, a introversão. 


    Pensamento e sentimento são funções racionais, são construção coletiva de uma cultura, são aprendidos. Coração e pulmões se situam no tórax, separados do abdômen pelo diafragma. São inseparáveis: alterando a respiração se altera o ritmo cardíaco. A neurociência demonstrou que o pensar é construído a partir do sentir. São duas funções – e emoções correspondentes – tipicamente humanas. 


    Os dois chakras do crânio pertencem a outra ordem. Pensar e sentir são a base para a evolução da consciência. No sexto chakra temos um nível de consciência de união com a totalidade do universo que não inclui o senso do eu – é a consciência profunda do vivo, que se manifesta pelo funcionamento de glândulas básicas como a hipófise e a pineal, e do tronco cefálico, que regula todo o funcionamento do organismo incluindo as emoções básicas.


    O sétimo chakra se estende por todo o córtex cerebral. É a consciência habitual, desperta, onde várias partes do córtex formam – e evocam – o tempo todo imagens visuais, sonoras, auditivas... que se unem numa construção pessoal que chamamos de realidade. É este chakra que permite, para quem a procura, a ampliação voluntária da consciência através dos vários níveis já percorridos pelos seres humanos desde nossa origem e por toda nossa evolução.    

18.12.18

Yoga, astrologia, e ser

    Cada vez mais o yoga é procurado não só pelo aspecto físico, mas por ser uma prática  integral. No caos da vida urbana se sabe que a doença física e as questões emocionais são dois aspectos da falta de equilíbrio. Existe uma busca crescente por práticas que tragam serenidade, o que é necessário para dar um sentido à existência.


    Os textos de yoga falam sempre do ashtanga – as oito partes do yoga – que começam com a ética: a primeira ocupação de um praticante se refere a suas relações com outros seres. Embora pareça que as oito partes sejam uma sucessão, elas são concomitantes. A meditação não substitui a ética na vida mundana, por exemplo. Nas filosofias da Índia não há separação entre pensar e ser, entre vida intelectual e vida espiritual, ou qualquer outra separação. A prática é um caminho de desenvolvimento pessoal, que nunca acaba, e que se renova a cada dia.

    Na história dos povos, incluindo os ocidentais, sempre houve duas abordagens complementares do real: a racional e a simbólica. Isto anda esquecido e até mesmo perseguido há alguns séculos, mais em algumas épocas e menos em outras. E nas duas direções: Galileu foi perseguido por ser racional, opondo-se ao mito do homem como cereja do bolo da criação divina e portanto habitante do centro do universo; o altar cristão da Notre-Dâme de Paris durante a Revolução Francesa foi substituído por um altar à liberdade.

    Como yoga é união, também esta síntese faz parte da integração do praticante. Cada um desses dois discursos, o lógico e o mítico, tem sua função, sua esfera de ação. Viver no mundo atual, tecnológico, é viver no mundo lógico da ciência, e também no contexto abordado pela história, política, e outros ramos do conhecimento objetivo: função da consciência objetiva em cada um de nós, aquilo em nós que olha para fora em busca de compreensão, de conhecimento sobre o mundo.

    A função mítica foi substituída em parte pela ciência – que desenvolveu explicações objetivas do universo material em substituição à abordagem arcaica – em parte pela psicologia – ciência humana que acumula conhecimento sobre os tipos de pessoas e sobre o desenvolvimento – e em parte pela sociologia e política – ciências humanas das interações sociais. Mas a quarta função dos mitos, a simbólica, não foi substituída pelas filosofias e as religiões.

    A função do símbolo é unir o indivíduo ao todo, ao mistério, de forma direta, sem a intermediação da mente. O mito sempre esteve por trás dos rituais, e a função do ritual é provocar uma modificação na consciência. É a consciência subjetiva que faz este caminho, a consciência que busca conhecimento através de caminho interno, solitário. Os rituais têm guias, que conduzem a pessoa até a porta do lugar “de onde as palavras voltam”. Mas se entra sozinho.

    O desenvolvimento da consciência inclui as duas vertentes: estar no mundo exterior e no mundo interior. Na prática de yoga a meditação é a experiência interior, a busca interna de contatar o todo, conhecer a conexão de si próprio com a totalidade. A busca da  astrologia é a da expressão pessoal desta conexão ao colocar no mundo sua verdade interna – aquilo que cada pessoa descobre ser sua verdadeira intenção na vida, conhecida não pela razão mas ao contatar pessoalmente a Fonte.
   
   

30.8.18

Tai chi e imunidade

O pensamento chinês não separa mente e corpo, e suas práticas tradicionais de
medicina atuam ao mesmo tempo sobre esses dois aspectos inseparáveis da vida. O tai
chi, preventivo e curativo, harmoniza a energia ao fazê-la fluir. Sua prática regular tem
efeitos há muito constatados sobre doenças como a tuberculose.

A ciência ocidental constatou, nos últimos quarenta anos, a relação íntima entre
mente (sistema nervoso), hormônios e sistema imunológico. Esta é uma nova visão do
organismo, não mais como uma máquina cujas peças podem ser trocadas e que precisa de intervenção externa para continuar funcionando, mas como um sistema integrado onde as diferentes funções se comunicam e interagem. Esta comunicação norteia inclusive os
mecanismos de reparação a partir de dentro.

As moléculas de emoção encontradas no cérebro são as mesmas das células
imunológicas. Isto explica porque a imunidade cai quando persistem sentimentos
negativos: nessas situações faltam as moléculas que se ligam às células de defesa e
as ativam. Os pontos dessas células onde faltam moléculas de emoção ficam livres, e
neles se ligam agentes causadores de doenças, como víruses.

Os praticantes regulares de tai chi desenvolvem uma forma centrada de
reconhecer as emoções, e um modo pacífico de trabalhar com elas. A ciência ocidental
tem demonstrado nos últimos vinte e cinto anos os benefícios desse poder adquirido
sobre o sistema imunológico:
  • melhora a recuperação pós-cirúrgica do câncer de pulmão1
  • aumenta a eficiência das células de defesa2
  • numa revisão que incluiu setenta e sete artigos científicos, seis apontavam um aumento da imunidade.3
Outros efeitos apontados no último estudo foram:
    • aumento da densidade óssea (quatro artigos),
    • efeitos sobre pulmões e coração (dezenove),
    • melhora da condição física (dezesseis),
    • diminuição de quedas e fatores de risco correlatos (vinte e três),
    • melhora na qualidade de vida (dezessete),
    • aumento de auto-suficiência (oito),
    • redução de sintomas psicológicos (vinte e sete),
    • outras melhoras relatadas pelos pacientes (treze).
Veja artigos sobre a prática de tai chi no tratamento de doenças específicas:
Artigos científicos sobre medicina complementar

Fontes:
Molecules of emotion – Candace Pert
O ponto de mutação – Fritjoff Capra
Tai chi chuan e meditação – Da Liu 

Notas: 
1 Regular tai chi exercise decreases the percentage of type 2 cytokine-producing cells in postsurgical non-small cell lung cancer survivors. - Wang R, Liu J, Chen P, Yu D.
2 Regular tai chi chuan exercise enhances functional mobility and CD4CD25 regulatory T cells - S-H Yeh, H Chuang, L-
W Lin, C-Y Hsiao, H L Eng
3 A Comprehensive Review of Health Benefits of Qigong and Tai Chi - Roger Jahnke , OMD, Linda Larkey , PhD, Carol Rogers , APRN-BC, CNOR, PhD, Jennifer Etnier , PhD, and Fang Lin , MS. 2009

22.8.17

Meditação e vida diária


Onde vou falar sobre saúde, ego, preconceitos e felicidade
Há pouco tempo no grupo de meditação começou uma conversa sobre kriyas. “Se eu praticar, elimino as toxinas da alimentação?” Citei o mahamudra: Iyengar disse que ele tem a reputação de eliminar até veneno de cobra. Com certeza é muito mais antigo que o soro antiofídico. Mas se você é um brasileiro em cuja alimentação 70% dos itens contêm agrotóxicos, é suficiente praticar os kriyas? Já pensou em mudar para alimentos produzidos organicamente?
Thai (Thich Nhat Hanh), monge budista vietnamita, propõe uma meditação participante no mundo. Durante a Conferência do Clima em Paris seus mosteiros mantiveram monges meditando em período integral, para iluminar as mentes dos tomadores de decisão.

Meditar é ir para o centro, e o que está lá não é o ego, não é individual, é coletivo, é universal.
Ao optar pelos orgânicos dizemos não aos agrotóxicos – que também matam os trabalhadores rurais – e dizemos não aos transgênicos que destróem o equilíbrio da natureza, dizemos não ao trabalho escravo, dizemos não ao latifúndio. Isto porque a certificação obedece a padrões éticos do movimento orgânico.
oOo
Meditação é atenção. O ego – criação cultural, líquido, que muda o tempo todo – cessa de existir, o tempo cessa, o presente é a eternidade.
Como isto é extremamente difícil de entender, David Bohm se esforçou em traduzir para o ocidente esta idéia oriental. Cientista, físico quântico, diferencia o processo do pensar dos produtos deste processo, isto é, os pensamentos. Começa por explicar que essa distinção é a base do fazer ciência, e a estende para toda atividade humana. O processo dito da educação na nossa cultura é apenas um treinamento para inserir e evocar na memória pensamentos já pensados anteriormente e que dão forma à sociedade como ela é.
Pensar – o processo – é estar atento, observar, e analisar o que é a verdade do observado.
Analise, como exemplo atual, o que aconteceu em Charlottesville. Em que reside a superioridade dos brancos nos EUA? Na porcentagem da população que formam? De fato, excluídos os latinos, que somos multirraciais, os estadunidenses brancos são mais de 60% da população. Isto é, considerando que semitas não são brancos, mas apenas os ditos caucasianos. (Este pensamento não tem fundamentação científica, raça é um conceito abandonado há muito tempo, e hoje até o conceito de espécie não é seguro).
Mas, em tempos de globalização, olhamos o mundo todo e vemos que os tais caucasianos são 7% da população mundial. Mesmo nos EUA, entre as crianças até 5 anos de idade, os brancos não são mais maioria.
Vamos pensar então se a superioridade é qualitativa. Os brancos se classificam melhor em testes de matemática, por exemplo? As provas e olimpíadas mais recentes tiveram asiáticos nos primeiros lugares. EUA foram superados no Rio, ficando em quarto lugar. 60% da população mundial vive na Ásia.
Podemos parar a análise por aqui, mas sobre o racismo nacional acrescento que no Brasil já existe maioria negra. Fora da África, é o país com maior número de negros.
E a relação disto com meditação?
Meditar não é como tomar banho, que você faz todo dia durante 20 minutos e passa o resto do tempo se sujando. Sentar para meditar é uma preparação para viver em meditação. Atento. Consciente de ser parte da humanidade e ter uma função dentro dela. Consciente de que estamos todos unidos entre nós e a todos os outros seres que vivem na Terra. 

E feliz por isto.

10.9.16

O aparigraha de Davi Kopenawa


“Os objetos que fabricamos, e mais ainda os dos brancos, podem durar muito além do tempo que vivemos. Eles não se decompõem como as carnes de nosso corpo. Os humanos adoecem, envelhecem e morrem com facilidade. Já o metal dos facões, dos machados e das facas fica coberto de ferrugem e sujeira de cupim, mas não desaparece tão depressa! Assim é. As mercadorias não morrem. É por isso que não as juntamos durante nossa vida e nunca deixamos de dá-las a quem as pede. Se não as déssemos, continuariam existindo após nossa morte, mofando sozinhas, largadas no chão de nossas casas. Só serviriam para causar tristeza nos que nos sobrevivem e choram nossa morte. Sabemos que vamos morrer, por isso cedemos nossos bens sem dificuldade. Já que somos mortais, achamos feio agarrar-se demais aos objetos que podemos vir a ter. Não queremos morrer grudados a eles por avareza. Por isso eles nunca ficam muito tempo em nossas mãos! Nem bem acabamos de consegui-los e logo os damos a outros que, por sua vez, os querem. E assim as mercadorias se afastam de nós depressa e vão se perder nas lonjuras da floresta, carregadas pelos convidados de nossas festas reahu ou por outros visitantes. Desse modo, tudo está bem. Seguimos as palavras de nossos ancestrais, que nunca possuíram todos esses bens trazidos pelos brancos. 
 
Quando um xamã morre, seu fantasma não leva nenhuma das suas coisas para as costas do céu, mesmo que seja muito avarento! Os objetos que tinha fabricado ou conseguido por troca são abandonados na terra e só fazem atormentar os vivos, atiçando a saudade. Então dizemos que esses objetos estão órfãos e que nos causam pesar, porque estão marcados pelo toque do falecido. Por isso, se um de meus filhos ou minha mulher morressem, as coisas em que costumavam mexer guardariam o rastro de seus dedos. Eu teria de queimá-las chorando, para acabarem para sempre. Como eu disse, as mercadorias duram muito tempo, ao contrário dos humanos. Por isso devem ser destruídas quando morre o dono, mesmo que seus familiares precisem delas. Assim é. Nunca guardamos objetos que trazem a marca dos dedos de uma pessoa morta que os possuía!
Davi Kopenawa


Somos diferentes dos brancos e temos outro pensamento. Entre eles, quando morre um pai, seus filhos pensam, satisfeitos: ‘Vamos dividir as mercadorias e o dinheiro dele e ficar com tudo para nós!’ Os brancos não destroem os bens de seus defuntos, porque seu pensamento é cheio de esquecimento. Eu não diria a meu filho: ‘Quando eu morrer, fique com os machados, as panelas e os facões que eu juntei!’ Digo-lhe apenas: ‘Quando e não estiver mais aqui, queime as minhas coisas e viva nesta floresta que deixo para você. Vá caçar e abrir roças nela, para alimentar seus filhos e netos. Só ela não vai morrer nunca!’ É verdade. Achamos ruim ficar com os pertences de um morto. Nos causa pesar. Nossos verdadeiros bens são as coisas da floresta: suas águas, seus peixes, sua caça, suas árvores e frutos. Não são as mercadorias! ...”

As pedras, a água, a terra, as montanhas, o céu e o sol nunca morrem, como também os xapiri. São seres que não podem ser destruídos e que dizemos parimi, eternos. O sopro de vida dos humanos, só contrário, é muito curto. Vivemos pouco tempo. Epidemias xawara, espíritos maléficos e feiticeiros inimigos nos devoram facilmente. Por isso pensamos em nossos próximos e nas pessoas de quem somos amigos. Pensamos que se eles morressem, iríamos nos arrepender de não termos sido generosos o bastante com eles. Dizemos a nós mesmos: ‘Hou! Por falta de sabedoria fui tão sovina! Não satisfiz seus pedidos e agora essa lembrança me entristece!’ E depois, sabendo que nós mesmos não vamos demorar a morrer, não queremos também deixar para trás objetos cuja visão só vai deixar os nossos aflitos.”


“... quando conseguimos miçangas com os brancos. Ficamos com elas muito pouco tempo antes de escaparem para longe de nós! Primeiro as repartimos entre o pessoal de casa. Depois, basta sermos convidados a uma festa reahu por nossos aliados do rio Toototobi para as trocarmos com eles por outros objetos. Em seguida o pessoas do Toototobi vai visitar os Weyuku thëri que vão levar nossas miçangas mais longe ainda, rio acima, para outros Xamathari das terras altas que são seus aliados. Elas acabam chegando assim até a gente do rio Siapa, como nossos facões! No final, elas terão viajado para bem longe de nós, acompanhadas de boas palavras a nosso respeito: ‘Awei! São gente generosa mesmo, são amigos! Eles são muito valentes, é por isso que demonstram tanta largueza!’¹ Quando os moradores dessas casas distantes ouvem essas belas palavras, logo pensam que seria bom abrir uma senda nova na floresta para vir visitar nossa casa e obter os bens que desejam de nossas mãos. Dão-lhe então o nome de ‘caminho de pessoas generosas’.”

1. Os Yanomami associam fortemente valentia, humor e generosidade. (Nota de Bruce Albert).


In: A queda do céu, Davi Kopenawa e Bruce Albert, Companhia das Letras

2.7.16

A prática de ioga cura a ansiedade¿

Esta é uma pergunta que muitos dos alunos trazem ao começar a prática; eu acredito que antes de responder um sim categórico é preciso pesquisar o que é a ansiedade, de onde vem esse sentimento tão comum nos dias de hoje e que tanto sofrimento nos causa. Tenho ouvido muito que ansiedade é excesso de futuro, mas acho essa explicação meio simplista; concordo que uma das características dessa emoção é a pré-ocupação constante com o amanhã, mas de onde vem esse sentimento¿
Na ansiedade estamos sempre tentando controlar os acontecimentos, bem como nossas reações a eles, nossas emoções, o que gera uma constante tensão no corpo e na mente; tentamos controlar porque temos medo de falhar, de perder algo, de não sermos bem sucedidos o bastante, amados o bastante, bons o bastante. Nossos tempos são impiedosos com aqueles que não ostentam o padrão de realização imposto pela sociedade e por isso desde cedo somos pressionados e pressionamos nossas crianças a fazer mais, se destacar mais, não ficar para trás. Esta é uma fonte tremenda de ansiedade, mas há ainda muitos outros fatores: muitas vezes atravessamos períodos em que nos sentimos ameaçados, seja na infância se crescemos em meio a situações difíceis, ou em algum outro momento aonde tivemos que estar constantemente preparados para um perigo iminente. Creio ser importante analisarmos estes fatores, encará-los de frente e ter a consciência que esse momento passou; hoje como adultos podemos lidar de uma forma mais serena com as expectativas, as cobranças e mesmo com as situações em que nos sentimos ameaçados.
Mas esse é o primeiro passo, pois mesmo trazendo para a consciência as raízes de nossa ansiedade, nosso corpo ainda guardará a memória da nossa história...e aí entra a yoga. Ao fazermos as posturas de yoga não estamos apenas trabalhando o corpo físico, mas estamos trabalhando nossos canais energéticos – que a yoga chama de nadhis, e a medicina chinesa de meridianos; estamos permitindo que a energia bloqueada neles comece a ser liberada. Por isso é tão importante observamos nossas sensações, pensamentos e emoções enquanto praticamos; eu particularmente não acredito que a simples execução mecânica das posturas, sem a consciência possa trazer um real benefício para a libertação da ansiedade, ou de qualquer outra emoção aflitiva que carregamos. Por essa razão sempre insisto com os alunos em fazer devagar, sem esforço (pois aí entramos na competição alimentando ainda mais a ansiedade) e observando o que surge, sem julgar, apenas percebendo.
            Os meridianos relacionados com a ansiedade são Estômago e seu par, o Baço-Pâncreas, ligados à energia da terra, ao centro do nosso corpo, à sensação de estar com os pés no chão, apoiados, protegidos pela Grande Mãe. Voltar ao nosso centro é desenvolver presença, estar no Agora,  esse é o grande antídoto contra a ansiedade e o trabalho sobre esses meridianos pode nos auxiliar muito nessa “volta para casa”.
            Outra grande aliada na mudança do estado ansioso é a respiração; simplesmente passar 2-3 minutos por dia, de manhã e à noite observando a respiração, levando-a até o abdômen já traz um efeito extremamente benéfico, mas, sobretudo, reflita na raiz de sua ansiedade e jogue a luz da consciência sobre o que até então era um comportamento automático.
            Deixe abaixo suas dúvidas, críticas e comentários, assim poderemos refletir juntos! 

            

1.7.16

Yoga e o conhecimento de si


Patanjali, no Yoga Sutra, descreve no segundo capítulo os meios para atingir a união, o que inclui os oito membros da prática.


Os dois primeiros são as cinco disciplinas éticas e as cinco disciplinas individuais. Ambas se aplicam a todas as pessoas, mesmo às que não escolhem seguir o caminho do yoga.

As disciplinas éticas são de âmbito mundial: não-violência, ser verdadeiro, não roubar, continência e não cobiçar. Conhecemos as duas primeiras através da ação de Mahatma Ghandi. As disciplinas individuais são pureza, contentamento, austeridade, estudo de si e dedicação ao divino.

Os outros membros do yoga são asanas, treinamento da energia, interiorização dos sentidos, concentração numa só tarefa e integração com o espírito universal.


Vou focalizar uma disciplina individual, o estudo de si, ou conhecimento de si – Svadhyaya, em sânscrito, educação no sentido literal, trazer para fora o que há de melhor em uma pessoa.

O "eu" na Índia e no ocidente


Para os hindus o eu, no sentido de ego, é infantil e deve dar lugar ao ser verdadeiro, que chamaremos, com Jung, de Si-Mesmo. Portanto eles veem o estudo de si como o reconhecimento do divino interior. Toda a sociedade indiana está baseada em normas de comportamento que devem abafar a expressão deste ego desejante e incutir no indivíduo as responsabilidades inerentes à posição que ocupa.


Ao trazer a prática de yoga para o ocidente precisamos rever o conceito de indivíduo que surgiu na Grécia há cerca de 2.500 anos e se tornou a visão ocidental do eu. O indivíduo amadurece no decorrer da vida ao assumir responsabilidade pessoal pelas escolhas que faz. Nossa cultura deu muita importância ao livre-arbítrio, hoje um tanto mal compreendido e substituído apenas por livre, sem arbítrio, o que merece por si mesmo outra conversa.

 
Método GDS

Diz-se que os sistemas filosóficos sânquia, que é inseparável do yoga, e budista, são mais psicologia que metafísica. Têm muito em comum. Já as nossas psicologias ocidentais são muitas, variadas, baseadas em concepções filosóficas conflitantes, muitas vezes. Quando nós, ocidentais, pensamos em conhecer a si mesmo, temos em mente alguma destas nossas psicologias. Entre elas, algumas favorecem o florescimento pessoal, a educação no sentido usado acima. Infelizmente muitas das psicologias correntes são empobrecedoras do indivíduo, apenas ferramentas para adaptá-lo ao mundo externo.


Escolhi uma das muitas que podem ser úteis ao conhecimento de si, e a escolhi porque permite deduzir muitas coisas a partir da observação corporal. Descreve uma tipologia físico-psíquica, portanto é simplificadora, como toda categorização. E, como sempre, ninguém é um tipo puro, somos misturas em quantidades diferentes de vários tipos. Esta coloca cinco tipos básicos, dos quais vou citar muito resumidamente as características e – muito importante – o lado positivo “embutido” na pessoa e que é sua riqueza oculta. Este resumo foi feito a partir do livro Mãos de luz, de Barbara Ann Brennan.
Anatomia emocional de Stanley Keleman


O tipo 1 se queixa de medo e/ou ansiedade. Fisicamente é alongado, assimétrico, tem juntas fracas, mãos e pés frios. É hiperativo, mas sem base. Intelectualizado, comunica-se por absolutos, sua linguagem é despersonalizada. Defende-se recuando para longe, ficando ausente ou sendo hostil ao contato.

Riqueza interior do tipo 1: são muito espirituais, têm um senso do propósito mais profundo da vida. Muito criativos, têm muitos talentos e idéias. Podem ser comparados a uma mansão com muitas salas, cada uma ricamente decorada num estilo ou cultura diferentes, mas que não se comunicam entre si. O tipo 1 precisa se integrar, construir portas entre suas belas salas. Necessita enfrentar seu terror e sua fúria íntima, que o impedem de materializar sua enorme criatividade. Sua espiritualidade pode se expressar através da criatividade artística.


O tipo 2 se queixa de passividade e/ou cansaço. Fisicamente é magro, de peito afundado, tem músculos macios e fracos, peito frio. Hipoativo, com pouca energia. Comunica-se por perguntas, sua linguagem é indireta, leva a outra pessoa a protegê-lo maternalmente. Defende-se falando compulsivamente ou sugando a atenção de outros.

Riqueza interior do tipo 2: podem ser comparados a um belo instrumento musical, como um Stradivarius, que precisam afinar cuidadosamente para compor sua sinfonia única de vida. Quando aprender a confiar na abundância do universo e inverter o processo de se agarrar, quando aprender a dar, vai renunciar ao papel de vítima e agradecer o que consegue. Ao enfrentar o medo de ficar só vai mergulhar no vazio interior e encontrá-lo cheio de vida. Pode usar sua inteligência nas artes ou nas ciências, e será um mestre natural, porque se interessa por muitas coisas e pode ligar o que sabe ao amor que vem do coração.

O tipo 3 se queixa de se sentir derrotado. Fisicamente é mais pesado em cima do que embaixo, tem o peito inchado, a parte inferior do corpo é tensa, pernas e pelve são frias. Hiperatividade seguida de colapso. Sua linguagem é direta e manipuladora, levando a outra pessoa a se submeter.Defende-se dominando mentalmente o outro, retendo-o sob seu controle verbal aparentemente lógico.
Riqueza interior do tipo 3: cheio de fantasias e de aventuras de honra, onde vencem os mais verdadeiros e sinceros, num mundo de valores nobres sustentados pela perseverança e o valor, seu anseio é trazer tudo isto ao mundo real. Encontra a verdadeira entrega quando desiste de dominar os outros e estabelece contato com amigos: então passa a se sentir como um ser humano. Profundamente, é sincero e íntegro, e seu intelecto desenvolvido pode resolver desavenças ajudando outros a encontrar a própria verdade. É excelente no manejo de projetos complicados e tem um coração enorme.


O tipo 4 se queixa de tensão. É fisicamente pesado, a cabeça pende para a frente, é compactado, tem nádegas frias. Hipoativo, sua energia é interiorizada. Sua linguagem é de chorosa repulsa, controla ou manipula indiretamente usando expressões polidas, levando os outros a arreliá-lo. Defende-se atraindo a compaixão de outras pessoas, fechando-se em cisma silenciosa ostensiva ou disparando setas verbais.

Riqueza interior do tipo 4: como a prata e o ouro filigranados, sua criatividade se manifesta em desenhos intrincados, delicados, distintos, onde cada matiz importa. Quando se liberta de sua agressão e do medo de ser humilhado, expressa ativamente sua fantasia. Cheio de desvelo pelos outros, é um negociador natural, apoiador, com um enorme coração cheio de energia e compreensão para dar. Dotado de profunda compaixão e suavidade, tem também grande capacidade para se divertir e alegrar.

O tipo 5 se queixa de não ter sentimentos. Fisicamente tem as costas rígidas e a pelve para trás, é tenso, com regiões enrijecidas espalhadas pelo corpo, tem a pelve fria. Hiperativo, com energia alta. Comunica-se qualificando, sua linguagem é sedutora, levando os outros a competir com ele. Defende-se com demonstrações de superioridade, seja fortalecendo seus limites para se afastar, seja exibindo força de vontade controlada, ou mesmo em uma explosão histérica.

Riqueza interior do tipo 5: seu interior encerra aventura, paixão e amor, montanhas para escalar, causas para defender. Como nos mitos, voará até o sol, libertará povos; inspirará outros com sua paixão pela vida, será um líder natural. Quando permitir que seus sentimentos fluam e sejam vistos, quando partilhar o que quer que sinta, será capaz de um contato profundo com as pessoas e com o universo, onde brincará, desfrutando plenamente a vida.

Lembrete: cada um de nós é uma mistura de tipos, e esta é uma das tipologias que podem ser usadas para ajudar no conhecimento de si.

7.1.16

Como superar uma crise de pânico através da yoga

Primeiramente é preciso lembrar que o pânico é uma exacerbação da emoção do medo, e que este se relaciona com o meridiano de Rins. Assim sendo, as asanas (posturas) relacionadas a esse meridiano atuarão desbloqueando a energia represada e garantindo fluidez e flexibilidade; as posturas de flexão da coluna atuam sobre o meridiano dos rins.

Mas é importante que a pélvis seja flexível, participe do movimento para que não se crie tensão na lombar e nos músculos posteriores dos joelhos e das coxas; um movimento simples e eficiente para relaxar a pélvis é abraçar os joelhos e fazer pequenos balanços com os quadris, para direita e esquerda.
Alguns exemplos destas posturas são:

Paschimottanasana

Adho Mukha Svanasana


        e







Mas, quando a crise já se instalou, o melhor remédio é a respiração profunda e calma;  imagine que está querendo sentir o aroma de uma flor, ou de um perfume muito sutil. Assim sendo, inspire com suavidade e leve a respiração até o  abdômen, sentindo a sua expansão; em seguida solte lentamente o ar enquanto observa o  abdômen se recolhendo em direção às costas. Você pode  criar uma imagem mental do umbigo se colando nas costas e também repetir mentalmente: sei que estou inspirando (ao inspirar)...sei que estou expirando (ao expirar). Isto fará com que sua atenção se volte para o  centro energético, que fica na região do umbigo, e assim rapidamente sua mente se acalmará.

Outra coisa importante é a atitude mental quando você se sentir prestes a entrar em um ataque de pânico: ao invés de lutar procure relaxar, até mesmo conversar com o que está acontecendo:.”..bem, já sei como a coisa acontece, sei que isso vai passar, sei que não vou morrer...então vou ficar respirando e observando o ar entrando e saindo, o abdômen expandindo e recolhendo e deixar rolar.”
E finalmente, mas talvez até o mais importante: pratique diariamente alguns minutos de meditação. Nada complicado: apenas sente-se em uma postura confortável (pode ser numa cadeira, com os pés apoiados e as costas retas) e observe a sua respiração, como foi dito acima: tome consciência do ato de inspirar e expirar, perceba seu corpo pulsando com a respiração e deixe que seus pensamentos passem, nem lute contra eles, nem se apegue a eles. Fique calmamente repousando no momento presente.
Deixe seus comentários, suas dúvidas, converse conosco... e se achar  estas informações  úteis, compartilhe com seus amigos.

20.9.15

Meditação: início da primavera, lua cheia com eclipse

A primavera começa dia 23, quarta-feira, às 5:21 h.
A lua cheia acontece domingo, dia 27, e terá eclipse.

Primavera é começo, lua cheia é plenitude.
Primavera, Sandro Botticelli, 1482

Quando cheia, a Lua parece ter o mesmo tamanho do Sol. Quando ele nasce ela se põe, e vice-versa. Esta é a idéia do casamento alquímico, Lua e Sol iguais em tamanho e poder.

Na mitologia germânica, um lobo perseguia o Sol tentando devorá-lo, outro lobo perseguia a Lua. Para evitar isto, no eclipse, as pessoas saíam de casa e faziam muito barulho, afugentando o lobo.

Mas vamos comemorar esses eventos calmamente, com uma meditação, na sexta-feira, dia 25, às 18:00 h. Vamos começar com alguns exercícios suaves, preparando o corpo para sentar na calma. Depois faremos uma meditação curta.

Esta meditação é aberta a todos, mesmo quem nunca meditou, e é gratuita.

No Espaço Coaraci, Rua Ausonia 509, metrô Tucuruvi.

Namastê

7.8.15

Equilibrando a circulação da energia vital (prana) nos meridianos através das posturas de yoga (asanas)


Antes de praticar hatha yoga trabalhei como massagista, numa linha ligada à medicina tradicional chinesa. 
Ao iniciar o curso de formação de professores, comecei a perceber que as posturas trabalhavam regiões por onde passam os meridianos de energia, ponto de partida da acupuntura, moxabustão, shiatsu, etc... 
Lendo o livro do professor Hiroshi Motoyama (Teoria dos Chakras), constatei com alegria que ele fazia a correlação entre os nadis, do yoga, e os meridianos da medicina chinesa. Isto me deu ânimo para continuar pesquisando, através de leituras e principalmente da observação do meu próprio corpo e mente.
Tenho norteado minha prática, desde então, pela observação da energia que flui por estes canais, e hoje em dia sinto-me à vontade para conduzir minhas aulas nesse sentido, e para abrir este tema a reflexões mais amplas.
Devo ressaltar, a bem da verdade, que os pensamentos aqui expostos nada têm de originais; são apenas uma síntese do que recolhi – um pouco aqui, um pouco ali.
Os sábios chineses, observando a natureza, perceberam que tudo está em constante transformação. Dois princípios, ao mesmo tempo opostos e complementares, estão presentes em todos os fenômenos. Chamaram estes princípios de yin e yang.

Yin é o princípio feminino, cujos atributos são: a noite, o repouso, o que acolhe (receptivo), o sombrio, o vazio, a água, o interior.

Yang é o princípio masculino, cujos atributos são: o dia, o movimento, o que penetra (objetivo), o luminoso, o cheio, o fogo, o exterior,

Estes princípios não são estáticos, mas estão em constante movimento, transformando-se um no outro. Quando o yang chega ao seu ponto mais alto, transforma-se em yin (como as lágrimas que surgem no auge de um ataque de raiva).


Assim como dias e noites se sucedem, também as estações do ano transformam-se umas nas outras.
Estas transformações não ocorrem caoticamente, mas observam leis naturais, que também regem a vida humana, como parte que somos da natureza.
Assim, todos nós temos nossa primavera, na infância, onde tudo é novo e fresco como um broto; temos o esplendor do verão, na juventude, o amadurecimento do outono na maturidade, e a época de recolhimento e preparação para a morte, no inverno da nossa velhice. A sabedoria consiste em conhecer e respeitar cada fase, extraindo da vida a beleza peculiar a cada estágio.
As peculiaridades de cada estação permitiram aos chineses da Antigüidade correlacioná-las com elementos da natureza. Diga-se de passagem que eles davam a estes elementos o nome de “estados de mutação”, o que é coerente com a visão dinâmica do mundo que eles possuíam.
Estas energias fluem no organismo humano através dos meridianos, e é este ponto que nos interessa. Ao permanecermos em uma postura (asana), com a mente serena e concentrada, podemos sentir a energia vital fluindo através destes meridianos.
Quando sentimos dificuldade em permanecer numa determinada
postura, isto pode indicar que o meridiano trabalhado na postura está bloqueado. A energia não consegue fluir livremente – temos uma condição de excesso de energia.
Quando a postura é executada facilmente, mas a mente não consegue ficar estável (como se não quisesse entrar em contato com “alguma coisa”), - ficamos impacientes para sair daquela posição – isto pode indicar que há falta de energia no meridiano em questão. 
Quando a energia vital flui livremente por um meridiano podemos sentir seu fluxo e há prazer em permanecer na postura, por períodos cada vez mais longos – a postura se torna “estável e confortável” – este é o ideal preconizado por Patanjali no Yoga Sutras.
Cada meridiano está relacionado a um tipo de emoção; conhecendo seu estado energético nos tornamos mais conscientes de nossos estados emocionais e podemos trabalhar para equilibrá-los.
 Por tudo isto, acredito na importância de trabalhar com consciência nossos meridianos, permanecendo nos asanas. Escolhi refletir sobre cada estação do ano e os meridianos ligados a ela.