Mostrando postagens com marcador yoga. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador yoga. Mostrar todas as postagens

2.8.22

virabhadrasana 2
 Sua prática

 

O isolamento mostrou as possibilidades da internet nas práticas. Fizemos aulas online, e postamos vários vídeos com práticas diferentes. 

Terminado o isolamento, por motivos diferentes várias pessoas preferem continuar com aulas online.

Esta postagem apresenta a proposta do título: uma prática personalizada para quem faz yoga em casa.

Como funciona

A playlist Sua prática no nosso canal do YouTube tem dois vídeos públicos, um deles só para mostrar o que é necessário tem à mão para poder praticar. O outro é uma aula simples, que pode ser usada como uma avaliação: de que ponto você começa.

Nossa proposta consiste de um aula individual - online ou presencial - na qual avaliamos suas possibilidades, seus objetivos, e o caminho para chegar a eles. Em seguida você receberá um vídeo para sua prática em casa. 

O ritmo da caminhada é definido por você: se depois de uma ou duas semanas, ou um mês, você sentir necessidade de outros desafios, ou de revisar sua prática, marcamos outra aula, que terá outro vídeo, e assim por diante. 

Entre em contato para saber mais:

 
 
 

 


18.12.18

Yoga, astrologia, e ser

    Cada vez mais o yoga é procurado não só pelo aspecto físico, mas por ser uma prática  integral. No caos da vida urbana se sabe que a doença física e as questões emocionais são dois aspectos da falta de equilíbrio. Existe uma busca crescente por práticas que tragam serenidade, o que é necessário para dar um sentido à existência.


    Os textos de yoga falam sempre do ashtanga – as oito partes do yoga – que começam com a ética: a primeira ocupação de um praticante se refere a suas relações com outros seres. Embora pareça que as oito partes sejam uma sucessão, elas são concomitantes. A meditação não substitui a ética na vida mundana, por exemplo. Nas filosofias da Índia não há separação entre pensar e ser, entre vida intelectual e vida espiritual, ou qualquer outra separação. A prática é um caminho de desenvolvimento pessoal, que nunca acaba, e que se renova a cada dia.

    Na história dos povos, incluindo os ocidentais, sempre houve duas abordagens complementares do real: a racional e a simbólica. Isto anda esquecido e até mesmo perseguido há alguns séculos, mais em algumas épocas e menos em outras. E nas duas direções: Galileu foi perseguido por ser racional, opondo-se ao mito do homem como cereja do bolo da criação divina e portanto habitante do centro do universo; o altar cristão da Notre-Dâme de Paris durante a Revolução Francesa foi substituído por um altar à liberdade.

    Como yoga é união, também esta síntese faz parte da integração do praticante. Cada um desses dois discursos, o lógico e o mítico, tem sua função, sua esfera de ação. Viver no mundo atual, tecnológico, é viver no mundo lógico da ciência, e também no contexto abordado pela história, política, e outros ramos do conhecimento objetivo: função da consciência objetiva em cada um de nós, aquilo em nós que olha para fora em busca de compreensão, de conhecimento sobre o mundo.

    A função mítica foi substituída em parte pela ciência – que desenvolveu explicações objetivas do universo material em substituição à abordagem arcaica – em parte pela psicologia – ciência humana que acumula conhecimento sobre os tipos de pessoas e sobre o desenvolvimento – e em parte pela sociologia e política – ciências humanas das interações sociais. Mas a quarta função dos mitos, a simbólica, não foi substituída pelas filosofias e as religiões.

    A função do símbolo é unir o indivíduo ao todo, ao mistério, de forma direta, sem a intermediação da mente. O mito sempre esteve por trás dos rituais, e a função do ritual é provocar uma modificação na consciência. É a consciência subjetiva que faz este caminho, a consciência que busca conhecimento através de caminho interno, solitário. Os rituais têm guias, que conduzem a pessoa até a porta do lugar “de onde as palavras voltam”. Mas se entra sozinho.

    O desenvolvimento da consciência inclui as duas vertentes: estar no mundo exterior e no mundo interior. Na prática de yoga a meditação é a experiência interior, a busca interna de contatar o todo, conhecer a conexão de si próprio com a totalidade. A busca da  astrologia é a da expressão pessoal desta conexão ao colocar no mundo sua verdade interna – aquilo que cada pessoa descobre ser sua verdadeira intenção na vida, conhecida não pela razão mas ao contatar pessoalmente a Fonte.
   
   

2.7.16

A prática de ioga cura a ansiedade¿

Esta é uma pergunta que muitos dos alunos trazem ao começar a prática; eu acredito que antes de responder um sim categórico é preciso pesquisar o que é a ansiedade, de onde vem esse sentimento tão comum nos dias de hoje e que tanto sofrimento nos causa. Tenho ouvido muito que ansiedade é excesso de futuro, mas acho essa explicação meio simplista; concordo que uma das características dessa emoção é a pré-ocupação constante com o amanhã, mas de onde vem esse sentimento¿
Na ansiedade estamos sempre tentando controlar os acontecimentos, bem como nossas reações a eles, nossas emoções, o que gera uma constante tensão no corpo e na mente; tentamos controlar porque temos medo de falhar, de perder algo, de não sermos bem sucedidos o bastante, amados o bastante, bons o bastante. Nossos tempos são impiedosos com aqueles que não ostentam o padrão de realização imposto pela sociedade e por isso desde cedo somos pressionados e pressionamos nossas crianças a fazer mais, se destacar mais, não ficar para trás. Esta é uma fonte tremenda de ansiedade, mas há ainda muitos outros fatores: muitas vezes atravessamos períodos em que nos sentimos ameaçados, seja na infância se crescemos em meio a situações difíceis, ou em algum outro momento aonde tivemos que estar constantemente preparados para um perigo iminente. Creio ser importante analisarmos estes fatores, encará-los de frente e ter a consciência que esse momento passou; hoje como adultos podemos lidar de uma forma mais serena com as expectativas, as cobranças e mesmo com as situações em que nos sentimos ameaçados.
Mas esse é o primeiro passo, pois mesmo trazendo para a consciência as raízes de nossa ansiedade, nosso corpo ainda guardará a memória da nossa história...e aí entra a yoga. Ao fazermos as posturas de yoga não estamos apenas trabalhando o corpo físico, mas estamos trabalhando nossos canais energéticos – que a yoga chama de nadhis, e a medicina chinesa de meridianos; estamos permitindo que a energia bloqueada neles comece a ser liberada. Por isso é tão importante observamos nossas sensações, pensamentos e emoções enquanto praticamos; eu particularmente não acredito que a simples execução mecânica das posturas, sem a consciência possa trazer um real benefício para a libertação da ansiedade, ou de qualquer outra emoção aflitiva que carregamos. Por essa razão sempre insisto com os alunos em fazer devagar, sem esforço (pois aí entramos na competição alimentando ainda mais a ansiedade) e observando o que surge, sem julgar, apenas percebendo.
            Os meridianos relacionados com a ansiedade são Estômago e seu par, o Baço-Pâncreas, ligados à energia da terra, ao centro do nosso corpo, à sensação de estar com os pés no chão, apoiados, protegidos pela Grande Mãe. Voltar ao nosso centro é desenvolver presença, estar no Agora,  esse é o grande antídoto contra a ansiedade e o trabalho sobre esses meridianos pode nos auxiliar muito nessa “volta para casa”.
            Outra grande aliada na mudança do estado ansioso é a respiração; simplesmente passar 2-3 minutos por dia, de manhã e à noite observando a respiração, levando-a até o abdômen já traz um efeito extremamente benéfico, mas, sobretudo, reflita na raiz de sua ansiedade e jogue a luz da consciência sobre o que até então era um comportamento automático.
            Deixe abaixo suas dúvidas, críticas e comentários, assim poderemos refletir juntos! 

            

1.7.16

Yoga e o conhecimento de si


Patanjali, no Yoga Sutra, descreve no segundo capítulo os meios para atingir a união, o que inclui os oito membros da prática.


Os dois primeiros são as cinco disciplinas éticas e as cinco disciplinas individuais. Ambas se aplicam a todas as pessoas, mesmo às que não escolhem seguir o caminho do yoga.

As disciplinas éticas são de âmbito mundial: não-violência, ser verdadeiro, não roubar, continência e não cobiçar. Conhecemos as duas primeiras através da ação de Mahatma Ghandi. As disciplinas individuais são pureza, contentamento, austeridade, estudo de si e dedicação ao divino.

Os outros membros do yoga são asanas, treinamento da energia, interiorização dos sentidos, concentração numa só tarefa e integração com o espírito universal.


Vou focalizar uma disciplina individual, o estudo de si, ou conhecimento de si – Svadhyaya, em sânscrito, educação no sentido literal, trazer para fora o que há de melhor em uma pessoa.

O "eu" na Índia e no ocidente


Para os hindus o eu, no sentido de ego, é infantil e deve dar lugar ao ser verdadeiro, que chamaremos, com Jung, de Si-Mesmo. Portanto eles veem o estudo de si como o reconhecimento do divino interior. Toda a sociedade indiana está baseada em normas de comportamento que devem abafar a expressão deste ego desejante e incutir no indivíduo as responsabilidades inerentes à posição que ocupa.


Ao trazer a prática de yoga para o ocidente precisamos rever o conceito de indivíduo que surgiu na Grécia há cerca de 2.500 anos e se tornou a visão ocidental do eu. O indivíduo amadurece no decorrer da vida ao assumir responsabilidade pessoal pelas escolhas que faz. Nossa cultura deu muita importância ao livre-arbítrio, hoje um tanto mal compreendido e substituído apenas por livre, sem arbítrio, o que merece por si mesmo outra conversa.

 
Método GDS

Diz-se que os sistemas filosóficos sânquia, que é inseparável do yoga, e budista, são mais psicologia que metafísica. Têm muito em comum. Já as nossas psicologias ocidentais são muitas, variadas, baseadas em concepções filosóficas conflitantes, muitas vezes. Quando nós, ocidentais, pensamos em conhecer a si mesmo, temos em mente alguma destas nossas psicologias. Entre elas, algumas favorecem o florescimento pessoal, a educação no sentido usado acima. Infelizmente muitas das psicologias correntes são empobrecedoras do indivíduo, apenas ferramentas para adaptá-lo ao mundo externo.


Escolhi uma das muitas que podem ser úteis ao conhecimento de si, e a escolhi porque permite deduzir muitas coisas a partir da observação corporal. Descreve uma tipologia físico-psíquica, portanto é simplificadora, como toda categorização. E, como sempre, ninguém é um tipo puro, somos misturas em quantidades diferentes de vários tipos. Esta coloca cinco tipos básicos, dos quais vou citar muito resumidamente as características e – muito importante – o lado positivo “embutido” na pessoa e que é sua riqueza oculta. Este resumo foi feito a partir do livro Mãos de luz, de Barbara Ann Brennan.
Anatomia emocional de Stanley Keleman


O tipo 1 se queixa de medo e/ou ansiedade. Fisicamente é alongado, assimétrico, tem juntas fracas, mãos e pés frios. É hiperativo, mas sem base. Intelectualizado, comunica-se por absolutos, sua linguagem é despersonalizada. Defende-se recuando para longe, ficando ausente ou sendo hostil ao contato.

Riqueza interior do tipo 1: são muito espirituais, têm um senso do propósito mais profundo da vida. Muito criativos, têm muitos talentos e idéias. Podem ser comparados a uma mansão com muitas salas, cada uma ricamente decorada num estilo ou cultura diferentes, mas que não se comunicam entre si. O tipo 1 precisa se integrar, construir portas entre suas belas salas. Necessita enfrentar seu terror e sua fúria íntima, que o impedem de materializar sua enorme criatividade. Sua espiritualidade pode se expressar através da criatividade artística.


O tipo 2 se queixa de passividade e/ou cansaço. Fisicamente é magro, de peito afundado, tem músculos macios e fracos, peito frio. Hipoativo, com pouca energia. Comunica-se por perguntas, sua linguagem é indireta, leva a outra pessoa a protegê-lo maternalmente. Defende-se falando compulsivamente ou sugando a atenção de outros.

Riqueza interior do tipo 2: podem ser comparados a um belo instrumento musical, como um Stradivarius, que precisam afinar cuidadosamente para compor sua sinfonia única de vida. Quando aprender a confiar na abundância do universo e inverter o processo de se agarrar, quando aprender a dar, vai renunciar ao papel de vítima e agradecer o que consegue. Ao enfrentar o medo de ficar só vai mergulhar no vazio interior e encontrá-lo cheio de vida. Pode usar sua inteligência nas artes ou nas ciências, e será um mestre natural, porque se interessa por muitas coisas e pode ligar o que sabe ao amor que vem do coração.

O tipo 3 se queixa de se sentir derrotado. Fisicamente é mais pesado em cima do que embaixo, tem o peito inchado, a parte inferior do corpo é tensa, pernas e pelve são frias. Hiperatividade seguida de colapso. Sua linguagem é direta e manipuladora, levando a outra pessoa a se submeter.Defende-se dominando mentalmente o outro, retendo-o sob seu controle verbal aparentemente lógico.
Riqueza interior do tipo 3: cheio de fantasias e de aventuras de honra, onde vencem os mais verdadeiros e sinceros, num mundo de valores nobres sustentados pela perseverança e o valor, seu anseio é trazer tudo isto ao mundo real. Encontra a verdadeira entrega quando desiste de dominar os outros e estabelece contato com amigos: então passa a se sentir como um ser humano. Profundamente, é sincero e íntegro, e seu intelecto desenvolvido pode resolver desavenças ajudando outros a encontrar a própria verdade. É excelente no manejo de projetos complicados e tem um coração enorme.


O tipo 4 se queixa de tensão. É fisicamente pesado, a cabeça pende para a frente, é compactado, tem nádegas frias. Hipoativo, sua energia é interiorizada. Sua linguagem é de chorosa repulsa, controla ou manipula indiretamente usando expressões polidas, levando os outros a arreliá-lo. Defende-se atraindo a compaixão de outras pessoas, fechando-se em cisma silenciosa ostensiva ou disparando setas verbais.

Riqueza interior do tipo 4: como a prata e o ouro filigranados, sua criatividade se manifesta em desenhos intrincados, delicados, distintos, onde cada matiz importa. Quando se liberta de sua agressão e do medo de ser humilhado, expressa ativamente sua fantasia. Cheio de desvelo pelos outros, é um negociador natural, apoiador, com um enorme coração cheio de energia e compreensão para dar. Dotado de profunda compaixão e suavidade, tem também grande capacidade para se divertir e alegrar.

O tipo 5 se queixa de não ter sentimentos. Fisicamente tem as costas rígidas e a pelve para trás, é tenso, com regiões enrijecidas espalhadas pelo corpo, tem a pelve fria. Hiperativo, com energia alta. Comunica-se qualificando, sua linguagem é sedutora, levando os outros a competir com ele. Defende-se com demonstrações de superioridade, seja fortalecendo seus limites para se afastar, seja exibindo força de vontade controlada, ou mesmo em uma explosão histérica.

Riqueza interior do tipo 5: seu interior encerra aventura, paixão e amor, montanhas para escalar, causas para defender. Como nos mitos, voará até o sol, libertará povos; inspirará outros com sua paixão pela vida, será um líder natural. Quando permitir que seus sentimentos fluam e sejam vistos, quando partilhar o que quer que sinta, será capaz de um contato profundo com as pessoas e com o universo, onde brincará, desfrutando plenamente a vida.

Lembrete: cada um de nós é uma mistura de tipos, e esta é uma das tipologias que podem ser usadas para ajudar no conhecimento de si.

7.1.16

Como superar uma crise de pânico através da yoga

Primeiramente é preciso lembrar que o pânico é uma exacerbação da emoção do medo, e que este se relaciona com o meridiano de Rins. Assim sendo, as asanas (posturas) relacionadas a esse meridiano atuarão desbloqueando a energia represada e garantindo fluidez e flexibilidade; as posturas de flexão da coluna atuam sobre o meridiano dos rins.

Mas é importante que a pélvis seja flexível, participe do movimento para que não se crie tensão na lombar e nos músculos posteriores dos joelhos e das coxas; um movimento simples e eficiente para relaxar a pélvis é abraçar os joelhos e fazer pequenos balanços com os quadris, para direita e esquerda.
Alguns exemplos destas posturas são:

Paschimottanasana

Adho Mukha Svanasana


        e







Mas, quando a crise já se instalou, o melhor remédio é a respiração profunda e calma;  imagine que está querendo sentir o aroma de uma flor, ou de um perfume muito sutil. Assim sendo, inspire com suavidade e leve a respiração até o  abdômen, sentindo a sua expansão; em seguida solte lentamente o ar enquanto observa o  abdômen se recolhendo em direção às costas. Você pode  criar uma imagem mental do umbigo se colando nas costas e também repetir mentalmente: sei que estou inspirando (ao inspirar)...sei que estou expirando (ao expirar). Isto fará com que sua atenção se volte para o  centro energético, que fica na região do umbigo, e assim rapidamente sua mente se acalmará.

Outra coisa importante é a atitude mental quando você se sentir prestes a entrar em um ataque de pânico: ao invés de lutar procure relaxar, até mesmo conversar com o que está acontecendo:.”..bem, já sei como a coisa acontece, sei que isso vai passar, sei que não vou morrer...então vou ficar respirando e observando o ar entrando e saindo, o abdômen expandindo e recolhendo e deixar rolar.”
E finalmente, mas talvez até o mais importante: pratique diariamente alguns minutos de meditação. Nada complicado: apenas sente-se em uma postura confortável (pode ser numa cadeira, com os pés apoiados e as costas retas) e observe a sua respiração, como foi dito acima: tome consciência do ato de inspirar e expirar, perceba seu corpo pulsando com a respiração e deixe que seus pensamentos passem, nem lute contra eles, nem se apegue a eles. Fique calmamente repousando no momento presente.
Deixe seus comentários, suas dúvidas, converse conosco... e se achar  estas informações  úteis, compartilhe com seus amigos.

7.8.15

Hatha yoga

é a parte do yoga que nos ajuda a acalmar a mente utilizando posturas físicas (asanas) com concentração mental, exercícios respiratórios (pranayamas) e técnicas de relaxamento. Estas práticas são instrumentos para, através da quietude do corpo, atingir a tranqüilidade da mente, que propicia o contato com nossa verdadeira essência - nosso Ser interior - tão bem descrito por Swami Muktananda no trecho que transcrevemos. 
Assim sendo, devemos fazer as posturas com a mente concentrada, livre de preocupações com resultados, prazos, comparações. O corpo e a mente vão se libertando com a persistência na prática, e esta deve ser uma fonte de prazer, de descobertas - nunca de dor, tensão, nem a procura obstinada por um resultado físico a curto prazo.

A alegria está em sentir o corpo se abrindo, se descobrindo a cada respiração. Quando sentimos dor, desconforto, é sinal de que estamos ultrapassando nosso limite. Isto não é necessário, nem saudável. Devemos voltar um “pontinho” atrás, antes da dor, e ficar, sem pressa, respirando e observando. Aí algo maravilhoso acontece: percebemos nosso corpo e nossa mente abandonando as resistências (fonte de toda dor), nossos movimentos se ampliam, sem luta. Isto é o oposto do que aprendemos até hoje. Sempre nos mandaram lutar contra o mundo para alcançar nossos objetivos e agora, no hatha yoga, descobrimos que é abandonando a luta, a resistência, que alcançamos alegria e liberdade. 
No yoga aprendemos que todas as ações são permeadas por três qualidades (gunas): sattwa, rajas e tamas. Sattwa é a qualidade da pureza, luz, harmonia e bondade. Rajas, a qualidade da atividade ou paixão, e tamas a qualidade da inércia, escuridão e ignorância. Num dia vivemos essas três qualidades, num momento ou noutro. Às vezes nos sentimos puros, servindo sem interesse; em outro estamos muito ativos, esperando recompensa, esperando resultados; em outro momento ainda nos sentimos preguiçosos, amarrados, inertes.
Ao praticar yoga buscamos sattwa guna - a harmonia, o desprendimento. Não importa a que religião pertençamos (ou se não seguimos nenhuma), a nossa idade ou o nosso sexo; o yoga é um caminho para todos que buscam melhorar sua qualidade de vida.
Namastê
 

Yoga e felicidade


Yoga é a união do corpo, da mente e do espírito. 

Através de um conjunto de práticas que inclui relaxamento, posturas (asanas), exercícios respiratórios, concentração e memorização, o hatha yoga produz profundos efeitos na harmonização e paz interior, sanando problemas a nível externo e interno. Os asanas são psicofísicos, proporcionando um reequilíbrio físico e mental. 

Para que você possa extrair dessa prática o máximo de bem-estar seguem aqui algumas palavras sobre o yoga. A palavra sânscrita yoga significa “união”. Mas união com quem? Para responder esta questão tomo a liberdade de citar um grande yogue, Swami Muktananda, que diz em seu livro Medite:

 
"Que desejam os seres humanos? Desejamos a felicidade. Tudo que fazemos, fazemos pela felicidade. Buscamos esta felicidade através do nosso trabalho, dos nossos amigos e da nossa família; através da arte e da ciência; da comida, da bebida e das diversões. Pela felicidade realizamos todas as atividades da vida diária, e esta é a razão pela qual continuamos a expandir o nosso mundo material.
Dentro de nós reside uma felicidade divina, a mesma que buscamos no mundo. Se pensarmos na alegria que recebemos das diferentes atividades compreenderemos que experimentamos a felicidade não nas atividades, mas dentro de nós mesmos. Por exemplo: quando olha um quadro bonito, onde você sente prazer, no quadro ou em você? Quando come um prato delicioso, você sente satisfação na comida ou em você mesmo? Quando se encontra com um amigo e sente alegria, a alegria está em seu amigo ou em você? A verdade é que a alegria encontrada em todas estas coisas é simplesmente um reflexo da alegria de seu próprio Ser interior.
A prova disto é o nosso sono. Ao final de cada dia, não importa o quanto tenhamos comido ou bebido, o quanto tenhamos ganho ou desfrutado, estamos exaustos. Tudo o que queremos fazer é ir para o quarto, apagar a luz e nos refugiar sob os cobertores. Durante o sono, estamos completamente sozinhos. Não queremos mulher, marido, amigos, nem nossos pertences. Não comemos nada, não ganhamos nada, não desfrutamos de nada. Ainda assim, enquanto dormimos, o cansaço de nossas horas de vigília desaparece naturalmente pela força do nosso próprio espírito. Pela manhã, ao despertar, estamos plenamente descansados.
Esta é uma experiência que temos todos os dias. Se prestarmos atenção na razão pela qual nos esgotamos com tudo o que fazemos durante o dia, e na razão pela qual obtemos tanta paz no sono, compreenderemos que a fonte real de nosso contentamento não está em comer nem em beber, nem em nada exterior a nós, mas em nosso interior. Durante o dia, a mente se dirige para fora. Contudo, em estado de sono profundo a mente descansa no Ser e isto remove nossa fadiga. .... Se fôssemos além do sono e entrássemos em meditação, beberíamos o néctar do amor e da felicidade que reside no coração.” 

Por estas palavras, percebemos que é o estado intranqüilo, agitado de nossa mente que nos impede de entrar em contato com a fonte de felicidade que reside em nós. 


Namastê 
Valéria Prado
  

28.7.15

Svadhyaya


A prática de yoga tem oito “pernas” – ashtanga – mas as duas primeiras, yama e niyama, são mandamentos básicos, como os dez do cristianismo: são para todas as pessoas, pratiquem yoga ou não.

São cinco yamas – ahimsa, satya, asteya, brahmacharya e aparigraha – e cinco niyamas – saucha, santosa, tapas, svadhyaya e Ishvara pranidama.
Svadhyaya é o estudo do eu (sva). B.K.S. Iyengar ensinou que este estudo é objeto da jñana yoga, yoga da sabedoria, do discernimento.

A filosofia associada ao yoga é sankhya, uma psicologia do ser humano. Na Índia, como em toda a tradição oriental, não existe um conceito de ego como temos no ocidente. Na estrutura de castas hindu cada pessoa tem os deveres da casta em que nasceu, deve cumpri-los e seguir os preceitos de seu guru. O Eu nestas filosofias é suprapessoal, C.G. Jung o chamou de Si Mesmo (Selbst).

Para nós, ocidentais, svadhyaya significa autoconhecimento, numa perspectiva da psicologia profunda, isto é, não o conhecimento do ego, mas da totalidade da psique, em camadas sucessivas que se aproximam do Si Mesmo.

A primeira camada, o ego ou eu (assim mesmo, minúsculo) tem ainda uma subcamada, a máscara: a face que mostramos ao mundo, e cada um de nós sabe que é muito mais que só isso. O ego é “aquilo em mim que diz eu”, o centro da consciência. Mutável, porque nunca somos os mesmos durante toda a vida, em todos o momentos e todos os lugares. Aprendemos coisas, esquecemos coisas: a consciência e o inconsciente estão em ligação dinâmica.

A segunda camada é a sombra. Aquilo que não queremos ver, para o qual não olhamos, mas que é parte de nós. “Conhece muito quem conhece a própria sombra” (Jung). Isto é svadhyaya.

O texto que segue é de Erich Neumann, em Psicologia profunda e nova ética.

Assumir o mal

Apresenta-se ao indivíduo a necessidade de “aceitar” seu próprio mal. Esta afirmação pode a princípio parecer ininteligível; em todo caso, seu alcance não se pode medir em absoluto à primeira vista. … A valorização e a responsabilidade grupais cessam ali onde nenhuma aprovação procedente da norma comum diminui para o eu a evidência de ter agido mal, e onde, ao contrário, o julgamento com um critério coletivo não deve nem pode substituir a orientação do próprio eu.

A distinção entre o meu mal e o mal geral é uma parte essencial do autoconhecimento, do qual não pode se eximir ninguém em um processo de individuação. Com esta individuação, porém, a antiga tendência de aperfeiçoamento do eu se quebra definitivamente. Deve ser sacrificada a exaltação inflacionária do eu e este se vê obrigado a chegar a alguma forma de “acordo de cavalheiros” com a Sombra.