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7.8.15

Verão


O elemento preponderante nesta estação do ano é o Fogo, que ao mesmo tempo aquece e ilumina.
Na primavera vários brotos surgiram, semelhantes entre si, frágeis, exigindo força para sobreviverem e crescerem. Agora, no verão, as coisas ficam claras, diferenciadas. Já sabemos quais brotos conseguiram crescer, quais morreram; em nossas vidas temos consciência de quais são os projetos em que realmente queremos continuar investindo. Temos clareza do que “vale a pena”. 
Esta escolha é feita pelo nosso coração; por mais que a razão nos diga que o caminho x é mais seguro, ou melhor, se nosso coração não está aí, dificilmente teremos êxito. Porém, esta escolha do coração não é cega, passional, mas está ancorada nas necessidades da nossa alma, do nosso centro, e é baseada na intuição – a capacidade de ver mais longe e com mais clareza, além das limitações do ego e da mente racional.
Os meridianos ligados à energia do fogo são coração e intestino delgado. Através da circulação do sangue eles também fazem circular o calor e o entusiasmo por todo o nosso organismo. Sem este entusiasmo não nos seria possível continuar com os projetos que iniciamos na primavera. A generosidade e a compaixão também se relacionam com estes meridianos; costumamos dizer que uma pessoa tem “um bom coração”, ou “um coração de pedra”.
Podemos sentir a energia vital fluindo por estes meridianos quando permanecemos em posturas como: Gomukhasana (a postura da cara da vaca), Baddha Konasana.
Alimentação
O sabor ligado ao elemento fogo é o amargo; devemos ingeri-lo com cuidado durante o verão. Um pouco deste sabor estimula a energia de C/ID, mas seu excesso descontrola o ritmo do coração e a temperatura dos órgãos.
Frutas e frutos frescos e suculentos, saladas coloridas, de preferência preparadas cruas e temperadas com pouco (ou nenhum) sal, vegetais ligeiramente refogados, ou cozidos no vapor, fazem muito bem a esses meridianos. Como a energia do fogo está ativada, devemos evitar cozinhar demais os alimentos, pois isto ativa ainda mais esta energia, podendo gerar excesso.  


Alimentos amargos, como: jiló, couve, chicória, serralha, catalônia, raditi, escarola, folhas de cenoura, etc... estimulam a energia de C/ID. Como foi dito antes, devemos evitar o seu excesso.

Alimentos anímicos
Estando o coração ligado aos sentimentos, ao calor humano, sua energia harmoniza-se quando convivemos com pessoas amorosas, compassivas, bem como desenvolvemos em nós mesmos estas virtudes. 
Tomar banhos de sol (antes da 11 h e após as 15 h). Contemplar o nascer e o pôr do sol, permitindo maravilhar-se com estes espetáculos, cuidar do aconchego do nosso lar (ter flores em casa ajuda a equilibrar a energia do coração).
As emoções ligadas a esses meridianos são a sinceridade amorosa e serena, a compaixão e a generosidade.
Em desequilíbrio esta energia gera histeria ou uma tristeza permanente (luto).

22.6.14

Inverno

A estação onde a energia se recolhe para o interior; época em que necessitamos de repouso e do aconchego das pessoas que realmente amamos. Não é uma época para contatos sociais superficiais (festas, badalações), que cabem melhor na primavera e no verão, pois no inverno estamos mais emotivos e precisamos de intimidade e de relacionamentos baseados na sinceridade, na nossa verdade interior.

O inverno está relacionado com o elemento Água, que flui ininterrupta e tranqüilamente, contornando os obstáculos, buscando o caminho de menor resistência. Assim também são nossas emoções – fluindo espontaneamente quando em equilíbrio. Os meridianos ligados a este elemento são rins e bexiga. 
Podemos sentir o fluxo da energia através deles quando permanecemos em posturas como: Paschimottanasana, Halasana, Pada Hasthasana. 


Alimentação
Nesta estação o elemento fogo está mais escondido, por isto precisamos de mais calor em nossa alimentação. Podemos acrescentá-lo utilizando alimentos assados ou que exijam maior tempo de cozimento. 
O sabor ligado ao elemento água é o salgado; seu excesso pode prejudicar a energia de R/B.
Como a água já é fria e úmida, convém moderar a ingestão de alimentos desta natureza. É o momento de utilizar na alimentação as frutas secas – uvas passas, nozes, amêndoas, avelãs, sementes de abóbora e de girassol, castanhas, amendoim (cuidado para não salgá-los). Também vão bem as raízes, especialmente nabo, bardana e cenoura, os feijões em geral, deixados de molho na véspera e temperados com sementes torradas e moídas: coentro, mostarda, e ervas aromáticas – cebola, alho e gengibre.
Cuidado com o excesso de produtos de origem animal, que sobrecarregam a energia dos rins; prefira peixes pequenos de água salgada (sardinha, manjuba, ...)


Alimentação anímica
O repouso, a contemplação, o livre fluir da vida – sem planos e sem temores. A água está relacionada com a sabedoria, que reconhece a impermanência de todas as coisas. O afeto não pode ser comprado ou barganhado, e no entanto ele é a única fonte real de felicidade nesta vida passageira. Contemplando a natureza, a beleza que reside na simplicidade de nossas crianças, desenvolvemos uma sensação de humildade e de gratidão. 


Em desequilíbrio R/B geram o medo que contamina tudo na nossa vida, impedindo o raciocínio objetivo, criando o pânico. 
A ansiedade é uma forma difusa deste medo, pois ela nos leva a querer trazer o futuro para o presente, para controlá-lo, evitando surpresas que gerariam o medo. 
As dificuldades nos relacionamentos afetivos muitas vezes nascem deste mesmo medo de se abrir para o desconhecido; criamos uma imagem ideal do “outro” e nos relacionamos com ela, para nos sentirmos seguros. 
 

Quando endurecemos nossos sentimentos acabamos criando pedras nos rins, pois tudo que não flui endurece ou apodrece.
Estes são apenas alguns traços de um quadro que é muito mais rico e inspirador.  Espero que o praticante de yoga possa, através de sua própria observação e percepção, acrescentar novas e coloridas pinceladas neste esboço.

18.6.13

Comemorando o solstício de inverno

No sábado 22 de junho, conversamos no Espaço Coaraci sobre o momento que vivemos. Na ocasião postei o texto abaixo, e acrescento aqui que, atendendo a pedidos, teremos nova conversa sobre o tema - o momento atual - no dia 20 de julho. Entre em contato se quer participar.

O Sol entra em Câncer dia 21, de madrugada, marcando o começo do inverno.
Se parece estranho comemorar o começo dessa estação de pouco sol, lembremos que a maior festa do ano é o período de Natal e Ano Novo, inventada no inverno do hemisfério norte, que é muuuuito mais frio.
O solstício é o dia mais curto do ano, daí em diante a luz começa a aumentar, o sol começa a ficar cada vez mais alto no céu. É isto que se comemora no solstício de inverno: a volta do Sol, que parecia estar morrendo e recomeça a ganhar forças.
Neste ano de 2013 temos um momento especial na sucessão do tempo, porque Urano e Plutão estão formando um ângulo reto no céu. É um tempo de transformações profundas. Os últimos acontecimentos em cidades brasileiras mostram o tom, que inclui a forma pacífica indicada pelo fato de se juntarem a esse planetas tão distantes da Terra outros dois, mais conhecidos e próximos, Vênus e Mercúrio.

Neste solstício o Sol estará fazendo parte de uma configuração que indica criatividade, dentro de parâmetros interessantes: ele entra no lugar de Vênus e Mercúrio, trazendo consciência e possibilidade de expansão, mas não sem ordem.

Se você nasceu nos signos que iniciam as estações, sentirá em sua vida os efeitos das mudanças. Mas se nasceu em qualquer signo de água também, embora de formas diferentes.
E as pessoas dos signos do meio das estações viverão outros efeitos... enfim, todo mundo vai vivenciar isso.
Se quiser, traga seu mapa para conversarmos sobre como o mapa do momento, que reproduzo aqui, afeta você.
QUANDO: sábado dia 22/06, às 10:00 h
ONDE: R. Ausonia 509 - metrô Tucuruvi
VALOR: R$ 10,00
Espero você.

23.12.10

Sob o signo de Capricórnio

Tivemos nosso encontro mensal dia 18 de dezembro, quando falamos sobre Saturno, domiciliado em Capricórnio. Esse titã lento tem um ciclo de 29 anos, que combina com sua seriedade: a idade da razão começa aos 30 anos. Simboliza os limites e a estrutura, o esqueleto e o superego. Representa o pai como autoridade.

Crono, o titã grego do planeta Saturno, é o filho mais novo de Urano (Céu) e Gaia (Terra). A pedido da mãe e ajudado pelos irmãos castrou seu pai com uma foice de sílex que Gaia lhe deu. Do esperma de Urano unido à espuma do mar nasceu Afrodite, como já vimos.
Crono casa-se depois com sua irmã Réia e se torna rei dos deuses, mas como seus pais profetizam para ele a mesma derrota que infringiu ao pai, Crono devora seus filhos.

Réia, com a ajuda de Gaia, engana Crono quando Zeus nasce, e o esconde em Creta, onde é amamentado por Amaltéia, a ninfa-cabra.

No entanto, outro mito mostra uma face diferente de Crono.
Na Idade de Ouro os seres humanos não precisavam de leis, porque cada pessoa sabia o que podia e devia fazer ou não fazer. E Crono governava essa era dourada. Júpiter viria a governar a Idade de Prata, quando a humanidade já decaíra.

Na vida pessoal, o retorno de Saturno a cada 29 anos - principalmente o primeiro - marca uma mudança de vida. Alguma coisa séria acontece: pessoas casam, se separam, têm um filho, mudam de profissão... É a passagem da juventude para a maturidade, da obediência a uma autoridade externa para o estabelecimento - se o crescimento individual correu como se espera - de uma autoridade interna.
É claro que na infância e adolescência Saturno indica a autoridade dos pais e da sociedade, a estrutura social em que se está crescendo, os limites da convivência.

No momento atual da história Saturno está ativo. Richard Tarnas mostra na revista Archai que entre 2000 e 2004 fez oposição a Plutão, trazendo intensidade ao conservadorismo e ao medo da época, em que se via terrorismo em cada ato. De 2004 a 2008 fez oposição a Netuno, época do aumento do uso de novas drogas, como ecstasy, do fundamentalismo religioso e da irresponsabilidade administrativa. De 2007 a 2012 faz oposição a Urano, trazendo a oscilação extrema entre o que é novo, revolucionário, e o que é conservador; entre o que é humanitário e o que é excludente.

A entrada do Sol em Capricórnio marca o solstício de verão no nosso hemisfério, o dia mais longo do ano. A partir daqui a luz começa a diminuir, o dia a encurtar. Esse solstício aconteceu com a Lua cheia e seu eclipse, criando assim uma grande cruz no céu em torno de nós: a Lua oposta ao Sol que se uniu a Plutão, reforçando a configuração desafiadora que ainda irá até o próximo ano, entre Plutão, Urano e Júpiter, e Saturno.

8.7.10

Sob o signo de Câncer

No dia 19 de junho, por ocasião da entrada do Sol em Câncer, tivemos o mini-workshop sobre o simbolismo da Lua, regente deste signo.

Falamos sobre o tempo cíclico - dia, mês e ano que se sucedem - e da relação entre as fases destes três ciclos básicos na percepção humana.

Abordamos os símbolos básicos do círculo e da taça, como semicírculo que se completa pela abóbada, e que surgem nos glifos do Sol e da Lua. 
Vivenciamos o arquétipo da Lua como nutrição, em seu significado mais amplo, remetendo-nos à primeira infância.
A Lua, base dos calendários de vários povos, simboliza os ritmos da vida, com suas fases que influenciam as marés, o ciclo reprodutivo dos animais, a seiva nas plantas... Povos agricultores sabem em que lua plantar, colher, podar. A Lua simboliza a mudança e o eterno retorno.

Entre os deuses gregos a titânide Selene - e depois Ártemis, para os romanos, Diana - era a deusa da Lua. Ártemis é a senhora da caça, ou melhor, dos animais selvagens, que protege. Outra deusa lunar é Hécate, que ecoa em Perséfone, já que seu papel no mito do rapto da Coré é importante. 


Neste solstício de inverno daqui do nosso  hemisfério sul, o Sol ocupa uma das pontas de um grande quadrado, que tem nos outros ângulos Saturno, Plutão e Júpiter junto com Urano. Esta é uma configuração tensa, que exige atuação para lidar com os arquétipos representados por estes planetas. Os dois planetas sociais, Júpiter e Saturno, estão em oposição, e dois dos planetas transociais, Urano e Plutão, estão em quadratura (90 graus).

Aspectos entre Urano e Plutão aparecem ao longo da história em momentos de grande mudança.

A Lua em bom aspecto com o Sol e Netuno traz um contraponto de criatividade.


Esta configuração no céu, como todas, afeta todos nós. Quem, porém, nasceu com o Sol ou outro ponto do mapa no começo dos signos cardeais - Áries, Câncer, Libra e Capricórnio - sente-se mais afetado por ela.

Ao final do workshop experimentamos brevemente a música das esferas, na concepção de Kepler, ouvindo o som dos acordes de quarta e de quinta ligados à configuração do momento.