5.9.10

Sob o signo de Virgem

Em 21 de agosto tivemos o workshop sobre o signo de Virgem, em que o Sol entrou no dia 23.

O regente de Virgem é Mercúrio, o deus Hermes dos gregos. 

A figura, de um vaso grego, mostra Hermes com barba e sem elmo, mas com sandálias aladas e o caduceu na mão.

Entre o intrincado simbolismo deste arquétipo está o da criança, porque as façanhas de Hermes começam no seu primeiro dia de vida, quando rouba o gado de seu meio-irmão Apolo. Desse roubo e sacrifício surge a lira - feita do casco de uma tartaruga e das tripas dos bois - que Apolo usará para fazer soar sua música. A criança Hermes é amoral; pragmático, vê a utilidade potencial e a realiza. Apolo passa a não prescindir dele, como o ego, a consciência, não pode existir sem a mente. No céu, o planeta Mercúrio está sempre perto do Sol.

Filho de um deus olímpico e de uma ninfa, reúne o céu e a terra, e representa a união dos opostos em geral: masculino-feminino na androginia que é a meta do trabalho alquímico, luz e sombra já que é o único deus que pode entrar (e sair) no reino de Hades, bem e mal.

Mensageiro de seu pai Zeus (Júpiter), é eficiente em fazer com que a mensagem seja executada. Usa para isso seus poderes, como adormecer os homens e tornar alguém invisível. É como trapaceiro também que guia as almas pelo caminho da iniciação: promete o que atrai e conduz ao que modifica através da perda.

Como guia das almas - psicopompo - conduz os mortos ao reino de Hades, e os tira de lá quando isso é permitido. É também o guia nos caminhos, é aquele que encontramos nas encruzilhadas. Neste aspecto e no de trapaceiro tem paralelo na cultura brasileira com Exu.

Esse arquétipo, esta função psíquica que todos possuímos, está em casa nos signos de Virgem e Gêmeos. Em Virgem, signo de terra, sua expressão é a do hermético, o iniciador nos mistérios.

A origem desse deus é ao norte da Grécia, e guarda traços de xamanismo: os poderes, a cura, o embuste, o vôo mágico, a entrada nos três reinos. Alguns de seus traços aparecem nas pessoas cuja relação com este arquétipo é forte. 

O Brasil é virginiano, por sua constituição como país independente em 7 de setembro.

29.7.10

Sob o signo de Leão

Tivemos em 17 de julho nosso encontro mensal sobre o signo em que o Sol está entrando.  Leão é a casa do Sol, por isso abordamos símbolos e mitos da nossa estrela.

Hélios, séc. V a.C.
No mito grego mais antigo o Sol é o titã Hélios, que durante o dia guia o carro solar puxado por cavalos alados. À noite ele faz a jornada pelo mundo inferior dentro de um barco em forma de xícara que o transporta pelo mar da escuridão. Temos aí a totalidade, expressa no círculo com o ponto no centro, que representa o Sol. O ciclo solar inclui luz e sombra, vida e morte. Só posteriormente o Sol foi associado ao olímpico Apolo, guardião dos rebanhos e portador da lira.

O círculo com o ponto no centro simboliza a totalidade, cósmica e pessoal: o ego, centro do campo da consciência, que cada um de nós desenvolve à imagem do arquétipo do Si-Mesmo, totalidade dentro-fora.

Vivenciamos no encontro a busca do eu individual, presentificando um momento feliz do passado em que a brincadeira espontânea foi a expressão pessoal.

Ao longo da vida esse broto de ego percorre uma jornada heróica que, como o Sol no seu ciclo, tem uma fase diurna e uma noturna, interior. A jornada do herói, a busca de algo que nem sempre se sabe o que seja, tem etapas que se comparam às passagens dia-noite, nadir e aurora.

8.7.10

Sob o signo de Câncer

No dia 19 de junho, por ocasião da entrada do Sol em Câncer, tivemos o mini-workshop sobre o simbolismo da Lua, regente deste signo.

Falamos sobre o tempo cíclico - dia, mês e ano que se sucedem - e da relação entre as fases destes três ciclos básicos na percepção humana.

Abordamos os símbolos básicos do círculo e da taça, como semicírculo que se completa pela abóbada, e que surgem nos glifos do Sol e da Lua. 
Vivenciamos o arquétipo da Lua como nutrição, em seu significado mais amplo, remetendo-nos à primeira infância.
A Lua, base dos calendários de vários povos, simboliza os ritmos da vida, com suas fases que influenciam as marés, o ciclo reprodutivo dos animais, a seiva nas plantas... Povos agricultores sabem em que lua plantar, colher, podar. A Lua simboliza a mudança e o eterno retorno.

Entre os deuses gregos a titânide Selene - e depois Ártemis, para os romanos, Diana - era a deusa da Lua. Ártemis é a senhora da caça, ou melhor, dos animais selvagens, que protege. Outra deusa lunar é Hécate, que ecoa em Perséfone, já que seu papel no mito do rapto da Coré é importante. 


Neste solstício de inverno daqui do nosso  hemisfério sul, o Sol ocupa uma das pontas de um grande quadrado, que tem nos outros ângulos Saturno, Plutão e Júpiter junto com Urano. Esta é uma configuração tensa, que exige atuação para lidar com os arquétipos representados por estes planetas. Os dois planetas sociais, Júpiter e Saturno, estão em oposição, e dois dos planetas transociais, Urano e Plutão, estão em quadratura (90 graus).

Aspectos entre Urano e Plutão aparecem ao longo da história em momentos de grande mudança.

A Lua em bom aspecto com o Sol e Netuno traz um contraponto de criatividade.


Esta configuração no céu, como todas, afeta todos nós. Quem, porém, nasceu com o Sol ou outro ponto do mapa no começo dos signos cardeais - Áries, Câncer, Libra e Capricórnio - sente-se mais afetado por ela.

Ao final do workshop experimentamos brevemente a música das esferas, na concepção de Kepler, ouvindo o som dos acordes de quarta e de quinta ligados à configuração do momento.

2.7.10

Astrologia arquetípica

Vivos, os arquétipos mudam o tempo todo. Cada planeta tem um simbolismo amplo e em transformação, cada época e cada pessoa  em sua época vive e cria uma nova expressão desse simbolismo.


Cada um de nós é co-criador do mundo, e a imaginação mítica nos põe em contato com desdobramentos possíveis de cada planeta e da interação entre eles. 

A busca do significado é a criação do significado, e essa criação é participativa, feita na rede dos relacionamentos. 


O espírito do momento é indicado pelo mapa do céu. Cada um de nós participa dele. Cada um de nós participa da sua co-criação, da expressão nas nossas vidas desses arquétipos, simbolizados no céu do momento.